segunda-feira, 1 de junho de 2015

A essência da matança: Morro-te

Perdido por entre escolhas, 1 de junho de 2015
Listening to: Bullet for My Valentine "Temper Temper"

Haverá labirinto maior do que o desejo? Que fazer perante tamanha confusão? Por entre ruas e ruelas, cantos e recantos, não há saída, apenas entrada, entradas a cada esquina, de modo a que me afunde cada vez mais na escuridão dos cruzamentos.
Só quero chegar ao fim, respirar fundo e sentir que valeu a pena.
Ações feitas, refeitas, desfeitas. Não sei por onde caminhoo. Será seguro? Poderei eu assentar os pés com toda a confiança? Não sei por onde caminho. Será terra firme? Estarei a ser soterrado? Não sei por onde caminho. Haverá sequer um término? Ficarei satisfeito caso o haja? Não sei mesmo por onde caminho.
O desejo consome-me a cada dia. A solidez do local onde se deveria encontrar a minha alma desvaneceu-se, não tão lentamente como pretenderia. Sinto-me desgastado. Cada virar de costas ilude-me com uma luz incandescente de um tom escarlate, assemelha-se sempre ao fim. Mas que fim, meu Deus?! Eu não quero um fim. Não o aceito. O teu fim não pode, de modo algum, ser o meu fim. Mas Ah!, como te desejo. Sentir o teu sangue escorrer-se-me por entre os dedos. Ah!, como te desejo. Bem sabes que vivo do teu sofrimento, da tua angústia. Diz-me, como subsistirei após a tua ida?
Desejo mais que tudo sofrer o êxtase da tua morte, que momento sublime será. Guardá-lo-ei para toda a eternidade. Mas e depois? E depois, do que viverei?
Não sei por onde caminho. A tua dor não prosperará, o teu sangue não continuará a jorrar. E o meu desejo seguirá a inflamar. Não sei por onde caminho.
Tornaste-me insaciável, e agora é por ti que me perco. Por ti, em ti. Como desejo perder-me em ti, nas tuas entranhas, no teu último suspiro. Será que terei salvação? Serás tu, início da perdição, também o seu fim? Odeio-te. Amo-te. Contradizes-me. Matas-me. Ressuscitas-me. Amas-me. Odeias-me. Amas-me. Amas-me... Preciso de ti. Lívida, pálida nos meus braços. Matas-me. Morres-me. Levas-me. Fui-me. Estarei eu a ir-me? Diz-me por onde seguir. Há uma saída? Há uma entrada? Estarei eu aqui, mortificado, ansioso, desesperado, desejoso, inflamado, desde sempre? Diz-me! Mata-me. Deixa-me viver-te. Sangra. Vai-te. Deixa-me ir! Oh!, espécime odiosa. Porque terei eu de sofrer por ti? Vai-te! Liberta-me. Leva-me contigo. Não sei por onde caminho...
Entrega-te a mim. Põe fim a este tormento. Não entendes que apenas um de nós perdurará?

Encruzilhadas. Morro-te.

Percorro labirintos quase palpáveis cada vez que cedo ao ardor que as minhas narinas invocam apenas para me fazerem deslocar até ti. A minha garganta solta também o seu queixume, queima tal qual metal em brasa. As minhas mãos imploram por te rasgar. Ah, como gostaria de te sufocar, sentir o teu sangue deixar de fluir. 
Esquerda,
Direita.
Existirá salvação? Voltar atrás, permanecer, seguir em frente.
Esquerda, 
Direita.
Desespero por ti.
Esquerda,
Direita.
O labirinto é interminável.

"I feel the tension rising high
I feel my heart pound in my chest
Not seeing straight just seeing red
Can't hold it back
Here comes my
Temper Temper, time to explode."

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