domingo, 13 de julho de 2014

A essência da matança: Expiação desejada

Um novo "dia" de estudos, 6 de julho de 2014
Listening to: Bring me the Horizon "Shadow Moses"

Lá está ela, como sempre, na sua rotina diária tão enfadonha mas tão interessante. Está deitada no sofá com uma blusa comprida que lhe dá, sensivelmente, pelos joelhos, sendo que deitada se vê parte das coxas. Agora que penso bem, estou imensamente habituado a esta maravilhosa perspectiva. Há dias, talvez meses, que a observo, sinto-me tão inebriado ultimamente que perco a noção do tempo. Tenho tudo magicado cá dentro. Só esperava pelo momento certo. Pela noite em que o ambiente na sala dela seria totalmente igual ao dos meus sonhos. É hoje. Consigo senti-lo. Sinto-o desde que acordei há umas horas com a imagem dela na minha cabeça, projetada pelos meus olhos, quase palpável. A noite chegou, também ela ansiava por este momento. Deixa sempre a janela da sala aberta, sabe que a vigio, convida-me a dar continuidade à expiação. Hoje permaneceu com a luz do pequeno candeeiro acesa, nunca o faz, apaga sempre todas as fontes de luminosidade, deixando apenas a televisão ligada. Ela quer olhar-me nos olhos. Sabe que serei a sua última visão, deseja-o.  
Porra. Passos. Oiço passos. Era só o que me faltava. Nunca ninguém se meteu no meu caminho, nunca atrapalharam os meus estudos, apesar de passar aqui horas. Nunca ninguém me viu. Hoje, logo hoje, hoje que é a noite escolhida. Ela está destinada a sofrer hoje. Não amanhã. Não ontem. Hoje. Eu sei, eu sinto! Ninguém, ninguém o pode contrariar. Passos. Cada vez mais próximos. Tenho de fugir. Vais-te arrepender. Quem quer que sejas, vais-te arrepender. Vou levar-te para assistires ao sofrimento dela. Vou fazer-lhe o dobro do que a minha necessidade ordena. E tu, tu vais saber que a culpa é tua. Atrasaste a matança, vais sofrer, vais grunhir como um porco. 

"Can you tell from the look in our eyes?
We're going nowhere
We live our lives like we're ready to die
We're going nowhere

You can run but you'll never escape, over and over again
Will we ever see the end?
We're going nowhere"