domingo, 28 de dezembro de 2014

A essência da matança: Uma perspetiva prisioneira

A presa, 28 de dezembro de 2014
Listening to: Slipknot "Psychosocial"

Caminho com destino ao malfadado ofício que desempenho, andando, alheia ao que se encontra à minha volta. Acordo então do meu transe graças à algazarra de buzinas, deparando-me com uma azáfama de automóveis e peões que parecem guerrear. Avanço, hesitante, com alguma incerteza, observando, chocada, aquela centena de pessoas a fixar-me. Impossível! Reparo agora, que todas possuem oceanos no local onde deveria encontrar olhos. Assustada, corro, corro sem rumo, tentando escapar às recordações. Elas assaltam-me, sem aviso, lembrando-me do sufoco, do precipício em que desabei tantas vezes, caindo num mundo irreal, onde a solidão reina e a angústia é soberana. Sinto-me a regredir no processo, a passar por tudo novamente, a afundar no oceano, a distinguir apenas o azul, o sempre presente azul. O medo fulmina-me. Medo de me deixar conspurcar mais uma vez por aquela dor e suplício inevitáveis. Será que me acudirão? Certamente todos os rostos que me observam fixamente distinguem o profundo oceano que me rodeia e suga até ao seu íntimo mais obscuro. Não! Não novamente... A sensação de dormência apodera-se do meu corpo, da minha mente, como tantas vezes antes acontecera. O azul...o imenso azul... Uma estranha corrente flui pelo meu ser, devastando todo ele à sua passagem. Já não sei onde me encontro, não consigo discernir realidade de ilusão. Há apenas um pensamento que preenche o último sopro de racionalidade que me resta: estaria prisioneira mais uma vez?

Desperto subitamente, percebendo que me encontro exatamente no mesmo sítio onde anteriormente havia parado a observar a confusão. Ninguém me olha, estão precisamente nas mesmas posições. Depreendo que passaram apenas alguns segundos. Terei sonhado? Talvez um dia venha a descobrir o que realmente aconteceu neste curto espaço de tempo em que revivi as minhas piores memórias.

"And the rain will kill us all
We throw ourselves against the wall
But no-one else can see
The preservation of the martyr in me

Psychosocial, psychosocial, psychosocial
Psychosocial, psychosocial, psychosocial"






                                                                                                                            

Invasão de Privacidade, Harlan Coben

Título original: Hold Tight
Autor: Harlan Coben
Editora: Editorial Presença
Número de páginas: 314

Sinopse
"Desde o suicídio do seu melhor amigo, Adam adoptou um comportamento distante e praticamente irreconhecível. Por isso, os pais deste adolescente concordam em instalar um programa no computador dele que vigia todos os seus passos. Simultaneamente, a mãe do jovem que se suicidou descobre algo acerca da noite da morte do filho que mudará tudo, mas então a única pessoa que a pode ajudar - Adam - desaparece misteriosamente.Um thriller tenso, repleto de ligações inesperadas e que nos faz questionar até onde iríamos para proteger aqueles que amamos."

Críticas de imprensa
«De leitura compulsiva. Não comece a ler se tiver algo importante para fazer na manhã seguinte, porque Invasão de Privacidade mantê-lo-á acordado a noite inteira.»
San Francisco Chronicle

«Uma volta na montanha-russa, rápida e divertida, que não vai querer que chegue ao fim, e que o obrigará a agarra-se com todas as suas forças. Quando acabar, reserve algum tempo para abraçar os seus filhos.»
Library Journal

«O factor ‘podia acontecer-me’ confere comoção aos arrepios e sensações.»
Publishers Weekly

«Os thrillers de Coben vêm com a garantia de uma grande leitura e a promessa de uma reviravolta no final. E, mais uma vez, não desiludiu.»
Evening Telegraph

Biografia do autor
Harlan Coben nasceu em Newark, New Jersey, Estados Unidos da América a 4 de janeiro de 1962. Licenciado em Ciência Política trabalhou na indústria de viagens.
Após publicar dois dos seus primeiros thrillers - nomeadamente, Play Dead, 1990, e Miracle cure, 1991 - Coben começa a sua série, do mesmo tipo literário, cujo protagonista seria Myron Bolitar.  
Foi o primeiro autor a vencer os três prémios mais prestigiados da literatura policial nos EUA, o Edgar Award, o Shamus Award e o Anthony Award. A sua obra encontra-se atualmente traduzida em cerca de 41 línguas e conta com mais de 50 milhões de exemplares vendidos.
Em 2001 lançou um thriller independente, pela primeira vez desde a criação da série Myrion Bolitar, Não Conte a Ninguém, que passou a ser a sua obra mais vendido até hoje. O diretor de cinema Guillaume Canet adaptou-o cinematograficamente, transformando-o num thriller francês, Ne le dis à personne, em 2006.
A crítica, desde o New York Times, ao Wall Street Journal ou ao Le Monde, tem-lhe dispensado as mais elogiosas referências. A Presença tem publicado muitos dos seus bestsellers nesta coleção, entre os quais os títulos Falta de Provas, A Verdade nos Olhos e Apenas Um Olhar


Crítica Pessoal
Invasão de Privacidade foi como que a energia de remoção dos 
meus eletrões literários. Foi o impulso, o "clique" para uma pesquisa exaustiva acerca da obra de Coben. Posso desde já adientar que, após esta leitura, muitas outras Harlan's masterpieces se seguirão.
Neste livro são bastante variadas as temáticas apresentadas: Coben viaja desde a abordagem ao controlo partental até ao mundo da droga e da prostituição, sendo estes últimos a finalidade principal. Passa ainda pela descrimição, o ambiente escolar e hospitalar, a dor psicológica da perda amorosa e a incerteza quanto à vida (ou morte) consolidada pela doença.
O autor opta por um narrador ausente, uma terceira pessoa, nunca centralizando a trama apenas nas personagens principais, Tia, Mike e Adam Baye.
Abordando todo um mundo de evolução tecnológica, Harlan Coben apresenta o lado traiçoeiro e corrompível da adolescência.

Definitivamente, 300 páginas lidas em 3,0x108 m/s.


 
 







A essência da matança: Insaciavelmente desgastante

Conclusões, 28 de dezembro de 2014
Listening to: Bullet for my Valentine "Scream, Aim, Fire"

É-me difícil definir sentimento tão instável e incerto. Não é algo que se descreva - vive-se e demonstra-se.
Amar é viver no abismo da contradição, invoca não só todas as emoções positivas bem como aquelas que despertam o pior de cada indivíduo cuja mente supostamente evita e/ou contorna constantemente, o lado obscuro de cada alma.
Amar implica um certo nível de valorização, uma diferente posição face à vida quotidiana - não mais esclarecedora, não menos desconcertante. É uma capacidade imaculada presente em cada ser humano.
Amar é uma dependência livre, um ódio extremo. É um sentimento insaciável e desgastante que, inevitavelmente, condiciona a sanidade do Homem.
Eu não a amo.

"Over the top, over the top
Right now it's killing time
Over the top, over the top
Right now it's killing time
Over the top, over the top
Right now it's killing time
Over the top, over the top
The only way out is to die

God has spoken through his conscience
As I scream, aim and fire
The death toll grows higher"

sábado, 6 de setembro de 2014

A essência da matança: Abstinência

Durante uma pausa indesejada, 6 de setembro de 2014
Listening to: Breaking Benjamin "Until the end"

Há meses que não a observo, aliás, há precisamente dois meses. Não é exatamente como se interrompesse o estudo, não, definitivamente não é como se o fizesse, não nesta fase crucial. Apenas aguardo.
Aguardar, a atitude que tem preenchido os meus dias de abstinência. Talvez não a deva denominar por atitude, talvez se aproxime mais de um estado de espírito. Aguardar, aguardar pelo que parece uma eternidade, sem saber bem qual o objetivo. Possivelmente será que ela volte a desejar ser expiada. Parece que o meu novo modus operandi se baseia na espera. Irónico, não?!

"It's over, no longer, I feel it growing stronger. I live to die another day, until I fade away.
Why give up, why give in?
It's not enough, it never is.
So I will go on until the end.
We've become desolate.
It's not enough, it never is.
But I will go on until the end."

domingo, 13 de julho de 2014

A essência da matança: Expiação desejada

Um novo "dia" de estudos, 6 de julho de 2014
Listening to: Bring me the Horizon "Shadow Moses"

Lá está ela, como sempre, na sua rotina diária tão enfadonha mas tão interessante. Está deitada no sofá com uma blusa comprida que lhe dá, sensivelmente, pelos joelhos, sendo que deitada se vê parte das coxas. Agora que penso bem, estou imensamente habituado a esta maravilhosa perspectiva. Há dias, talvez meses, que a observo, sinto-me tão inebriado ultimamente que perco a noção do tempo. Tenho tudo magicado cá dentro. Só esperava pelo momento certo. Pela noite em que o ambiente na sala dela seria totalmente igual ao dos meus sonhos. É hoje. Consigo senti-lo. Sinto-o desde que acordei há umas horas com a imagem dela na minha cabeça, projetada pelos meus olhos, quase palpável. A noite chegou, também ela ansiava por este momento. Deixa sempre a janela da sala aberta, sabe que a vigio, convida-me a dar continuidade à expiação. Hoje permaneceu com a luz do pequeno candeeiro acesa, nunca o faz, apaga sempre todas as fontes de luminosidade, deixando apenas a televisão ligada. Ela quer olhar-me nos olhos. Sabe que serei a sua última visão, deseja-o.  
Porra. Passos. Oiço passos. Era só o que me faltava. Nunca ninguém se meteu no meu caminho, nunca atrapalharam os meus estudos, apesar de passar aqui horas. Nunca ninguém me viu. Hoje, logo hoje, hoje que é a noite escolhida. Ela está destinada a sofrer hoje. Não amanhã. Não ontem. Hoje. Eu sei, eu sinto! Ninguém, ninguém o pode contrariar. Passos. Cada vez mais próximos. Tenho de fugir. Vais-te arrepender. Quem quer que sejas, vais-te arrepender. Vou levar-te para assistires ao sofrimento dela. Vou fazer-lhe o dobro do que a minha necessidade ordena. E tu, tu vais saber que a culpa é tua. Atrasaste a matança, vais sofrer, vais grunhir como um porco. 

"Can you tell from the look in our eyes?
We're going nowhere
We live our lives like we're ready to die
We're going nowhere

You can run but you'll never escape, over and over again
Will we ever see the end?
We're going nowhere"